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The Unmaking of Fascist Aesthetics - Salò (original e tradução)

Salò - Pier Paolo Pasolini (1975)

"What attracts Pasolini to Sade is his decoding of a priori concepts like normalcy, commonality, equivalence, and morality in order to expose these very concepts as themselves the real scandal, an outrageous emptiness — the unaccountable system of moral and economic isomorphism. This deconstruction of concepts that foster stable social identities causes the collapse of the three-tiered construction of the social apparatus bound by a social contract: first, the conscience and credulity with regard to a supreme being; second, the obligation to fellow man or civil society; and third, self-interest (Philosophy of the Bedroom, 308-310). And by subtracting the irrational (a priori) figures of God, good, moral, Sade vindictively unveils reason's own fatal strategy, its own nihilistic will to power that disassembles 'other' desire and reassembles desire as a mechanized destructive reaction compulsion. Driving this fatal strategy is the fusion of contradictions, authority that falsifies its own image and discourse, operating outside of the law upon which it derives its power, and acting out it's desire for pure control as a desire purely to defile. Salò presents both the outbreak of evils well as the victory over evil, the passing of transgression into law. This film visualizes the Baudrillardian paradigm of the simulated society where every subversion of the system merely promotes its deterrence, which in turn reinforces an insubstantial masquerade of public good. The decoding of this masquerade leads Pasolini to the Sadean axiom, the institutionalization of transgression (a fatal strategy). Within this axiom the law is presented as schizophrenic, speaking in the name of the father, the patria, the state in order to completely nullify the discourse of the father, the patria, the state — or at least reveal that these discourses are already bankrupt. This manifold law devours meaning, excreting itself in the form of abjection, which is defined by modern critics such as Julia Kristeva as 'any crime, since it draws attention to the fragility of the law.' Yet, in contrast to thinkers like Kristeva who specifically exclude Sade from the moral politics of abjection on the grounds that 'he who denies morality is not abject; there can be grandeur in amorality and even in crime that flaunts its disrespect for the law,' Pasolini proposes that the institutionalization of transgression or the aggrandizement of subversion disavows speculative discourses (like Kristeva's) that reserve for the strategy of subversion some sacred or moral purpose. Regardless whether abjection is aggrandized as the law (Sade) or an undermining of law (Kristeva), it conserves a notion of the host as a 'pure body' that can be defiled."

An excerpt from chapter 3 of The Unmaking of Fascist Aesthetics: Salò (A Fatal Strategy) - Kris Ravetto


Il Presidente / Salò - Pier Paolo Pasolini (1975)


"O que atrai Pasolini a Sade é sua decodificação de conceitos a priori como normalidade, uniformidade, equivalência e moralidade para expor esses conceitos em si mesmos como o verdadeiro escândalo, um vazio ultrajante - o impune sistema de isomorfismo moral e econômico. Essa destruição de conceitos que promovem identidades sociais estáveis causa o colapso da construção triuna do aparato social garantido por um contrato social: primeiro, a consciência e credulidade em relação a um ser supremo; segundo, a obrigação com o próximo ou com a sociedade civil; e terceiro, interesse próprio (Filosofia da Alcova, 308 - 310). E ao subtrair as figuras irracionais (a priori) de Deus, bem, moral, Sade vingativamente desvela a estratégia fatal da própria razão, sua própria vontade de poder niilista que desmonta 'outro' desejo e o remonta como uma destrutiva e mecanizada compulsão de reação. Dirigindo essa estratégia fatal está a fusão de contradições, autoridade que falsifica a própria imagem e discurso, operando fora da lei da qual deriva seu poder e manifestando seu desejo por puro controle como desejo por pura corrupção. Salò representa tanto a infestação dos males quanto a vitória sobre o mal, a passagem da transgressão para a lei. O filme visualiza o paradigma de Baudrillard de uma sociedade estimulada em que toda subversão do sistema meramente promove sua dissuasão, que por sua vez reforça o frágil disfarce do bem público. A decodificação desse disfarce leva Pasolini ao axioma Sadeano, a institucionalização da transgressão (uma estratégia fatal). Dentro deste axioma, a lei é apresentada como esquizofrênica, falando em nome do pai, da pátria, do estado - ou pelo menos revela que esses discursos já estão falidos. Essa múltipla lei devora o significado, excretando a si mesma como degradação, que é definida por críticos modernos como Julia Kristeva como 'qualquer crime, uma vez que chama atenção para a fragilidade da lei'. No entanto, em contraste com pensadores como Kristeva, que especificamente excluem Sade da política moral da degradação, sobre os fundamentos de que 'aquele que nega a moralidade não é abjeto; pode haver grandeza na amoralidade e até mesmo no crime que ostenta seu desrespeito pela lei,' Pasolini propõe que a institucionalização da transgressão ou o engrandecimento da subversão desaprovam discursos especulativos (como o de Kristeva) que reservam para a estratégia da subversão um propósito sagrado ou moral. Independente da degradação ser engrandecida como a lei (Sade) ou como um enfraquecimento da lei (Kristeva), ela conserva a noção do hospedeiro como um 'corpo puro' que pode ser corrompido."

Espetáculos Espectrais - Romance, de Sérgio Bianchi

"O trabalhador culpa ao chefe. O chefe culpa ao gerente geral. O gerente geral culpa ao trabalhador, ao chefe e ao dono da empresa. O dono da empresa culpa a todos, não é? Mas principalmente ao fornecedor da matéria-prima. O fornecedor da matéria-prima culpa a falta de incentivos do governo, o governo atual culpa o governo passado e a oposição continua culpando o governo mas principalmente a falta de compreensão do povo. Enquanto isso, o verdadeiro culpado assiste a cena de longe às gargalhadas - geralmente com sotaque - porque ele sabe muito bem que todos têm razões de sobra pra se culparem mutuamente e assim deixá-lo em paz." - Antônio Cesar nos primeiros segundos do filme


Romance (1988), de Sérgio Bianchi, é um retrato áspero do Brasil em sua época de democratização. Enquanto o otimismo político de alguns pululava pelas ruas, Bianchi mostra o cenário que se perpetua mesmo com a abertura democrática: a permanência das elites, o moralismo pós-moderno, a AIDS, o neoliberalismo implacável, a força das indústrias que coordena os esforços como os do agronegócio, dos automóveis e das farmacêuticas num escrachado conluio com o poder público. Um Brasil que permaneceu e permanece.

Antônio César é um intelectual de esquerda que estava escrevendo um livro que iria revelar todo esse grande esquema de maneira explosiva. "Ele foi escritor, poeta, jornalista, cineasta, publicitário, e no entanto, toda essa obra riquíssima está meio espalhada por aí, meio perdida nesse nosso país desgaçadamente sem memória", diz em certa altura um deputado que teve um passado conflitivo com o autor. Ele morreu em circunstâncias duvidosas e os manuscritos de seu livro bombástico sumiram. Maria Regina, uma pesquisadora e admiradora do autor, começa uma investigação própria sobre o conteúdo do livro que ele escrevia e sobre as circunstâncias da sua morte. Ela se torna uma mulher que fica sabendo demais, e em certo ponto seu destino só pode ser o extermínio ou a cooptação, sua forma mais sutil.


O filme se desenrola em cenas fortes, típicas dos filmes de Bianchi, em que cada take contém uma fórmula inflamável do escancaramento. Provocação não, é a realidade. Mas a realidade social incomoda, ela é amarga, traz desgosto. O cinema de certo serve só pra divertir com um tom leve e dramático. Deve ser isso que pensam os que classificam Bianchi como um provocador. Assim como seu protagonista póstumo, Antônio César, que aparece em diversos vídeos em que aparece na mídia e que ele gravou de si mesmo, o diretor quer desvelar a ilusão de uma brasilidade festiva e mostrar o que há por baixo: a preservação das mesmas estruturas coloniais pintadas de democracia, a fábrica de doenças e decadência que envenena a cada um e ao meio ambiente, o moralismo hipócrita da classe média que acha que manda usado de escudo e de tapa para sua visão, excluindo a periferia de sua percepção e mostrando o caminho que deve seguir para não se amedrontar com o mundo à sua volta, sempre em frente, obediente, em ordem rumo ao progresso.


O diretor definitivamente tem uma assinatura própria, seu estilo não ortodoxo de condução das narrativas resulta numa metralhadora semiótica de agudas percepções do âmago da frágil humanidade de cada um. Lampejos esclarecedores de uma realidade que está tão na nossa cara que nos anestesiamos dela, ao contrário de um cinema onírico das fantasias, o cinema de Bianchi é um cinema do despertar. Ele mostra como todos nessa sociedade moderna estão enredados em contradições estruturais e culturais que não podem ser facilmente reduzidas ou resolvidas. A cinematografia do diretor sempre consegue fazer muito com pouco. Não são produções cheias de recursos e truques caríssimos para dar uma cara mais vibrante e sedutora, que geralmente dá o verniz superficial da comercialidade para um filme. A beleza da cidade crua, das pessoas nuas - psicológica e fisicamente, em suas interações absurdas consigo mesmas e com as outras, de um Brasil cronicamente inviável, das fugas que dão em becos sem saída. O filme foi filmado em São Paulo e em Curitiba, e tenho que ressaltar a memorável cena em que Antônio César destrói o gabinete do deputado já citado, atirando até sua mesa da janela do último andar do histórico e hoje restaurado Paço da Liberdade, no centro da capital paranaense. A vivacidade do vandalismo do personagem captada na destruição real de todos os objetos do escritório é uma representação literal da força discursiva de seus filmes. E claramente Bianchi tinha os contatos certos para conseguir vandalizar uma sala desse importante prédio histórico.


Chegando no fim do filme, há uma espécie de interrupção do gênero discursivo ficção para inserir uma montagem documental de caráter explicitamente didático que explica a urbanização do Brasil, o processo de proliferação de favelas desde a expulsão de camponeses pobres de terras de latifúndio, passando pela monocultura de cana e produção de álcool, envenenamento de rios e uma tragédia anunciada fruto das terríveis condições de vida às margens da civilização industrial. Onde está a barreira da ficção? Ela se diluiu. Se já não ficou claro, nesse momento o filme se revela como uma denúncia, um enfrentamento real - contra o real, contra a configuração absurda e cruel dessa sociedade plutocrática. Fico pensando o que ele quis com esse título: Romance. Atrair incautos para uma teia que os envolve num enredo fatal? Quem sabe a vida crua que o filme nos mostra seja o romance, o romance verdadeiro? Talvez uma reverberação do trágico romantismo clássico da literatura, em que pessoas angustiadas chegavam ao ponto do suicídio e do assassinato devido à intensidade de suas emoções exacerbadas? Um combustível para a revolta, para uma tomada de posição? Insurreição ou sujeição? Veja o filme.

Scherzo Rajada - metralhadora poética marginal



...
Fumando uma idéia
dentro desse açougue metafísico :
É quase impossível
não pensar no paradoxo
quando irrompe nas esquinas,
a humanidade
com sua corrompida verticalidade
que jamais se tornará o diamante
...



Contra o Nazismo Psíquico, lançado em 2013 no soundcloud direto de Cubatão, é um álbum explosivo. Poesia, política e magia se encontram nessa encruzilhada do Universo para atacar as forças do autoritarismo psíquico vigente, "todas as tentativas de controlar, limitar ou destruir o caos formam a essência do nazismo psíquico". Mas o caos é indestrutível.


O nazismo psíquico se alimenta da diluição da angústia em um pragmatismo ou utilitarismo disfarçado de ética-estética do vazio que por sua vez se alimenta da lógica do possível imediato da ditadura das coisas.

Esses dois últimos fragmentos são excertos do manifesto que é a faixa título do álbum, mas somente um vislumbre dessa obra. Os poemas e a voz de Marcelo Ariel soam como um Gil Scott-Heron ("a revolução não será televisionada") em sua cadência falada, declamada, sem entonação melódica e sem pretensão de canto. Pra que canto? A presença da música negra e ambientes soturnos nos beats elaborados por Ismael Sendeski, Kleber Nigro e convidados dão força para os versos/cosmogramas de Ariel, que ostenta na manga suas influências. O álbum antropofágico reverbera diversas inspirações: os beatniks e poetas marginais brasileiros como Roberto Piva e Waly Salomão, o terrorismo poético de Hakim Bey, análises situacionistas e complexas leituras filosóficas, políticas e esotéricas são codificadas num fluxo ininterrupto.

O que escreve poemas, profere a sentença
do fundo do balcão de negócios
de altos negócios:
A polícia é o dragão de 3 cabeças
Os comandos são a cauda.
O que escreve é um poeta enterrado em Marcola
como Dante em Savonarola
À direita do dragão:
Advogados e seus chicotes de retórica
(A mesma desde Quintiliano)

(Brasília-DF)
Por duzentos euros
Advogados-romanos compram um dos ecos
da minha voz
lendo Santo Agostinho
dentro do Titanic-Negreiro



Ilustrando a conturbada paisagem mental das metrópoles brasileiras, a erudição se funde à revolta popular, usando todas as armas retóricas e poéticas no combate às máquinas mentais da ignorância, aos tentáculos discursivos do Império. Surrealismo cruel e vertiginosas passagens de ficção científica são ferramentas empregadas para expôr e extirpar a essência perversa da nossa organização social. Assim continuamos em Cadenza dos Comandos:


(América Latina)
O resultado:
No New York Times
a visão de um ônibus em chamas
envia um nítido
“Vão tomar no cu!”
ao mundo inteiro…
Esses ônibus, meus irmãos
são ilhas em chamas
no canto 12 do purgatório…
À nossa esquerda
Kafka conversa com Hitler
no celular
e isso será multiplicado…

(A Avenida Paulista evolui para uma elipse e é invadida pelo vazio das 4 da manhã)
Toquemos
Os coros invisíveis de Stockhausen
Nos carros, para os cães no futuro
Futuro jardim dos doze mil comandos.
No lugar de “Ordem e Progresso”,
se escreverá:
VIVA A POPULAÇÃO CARCERÁRIA!

Há pouco mais (na verdade muito) que pode ser falado sobre essa obra que me tomou de assalto. Quando ouvi a primeira faixa já soube que iria fazer uma postagem nesse blog. Ao ouvir o restante do disco, me intoxiquei. Então se você ainda não se convenceu, digo imperativamente: ouça o disco no soundcloud, onde os artistas também disponibilizaram todas as letras desse alucinado spoken-word.


Vida Guerra atirou o recém-nascido do quarto andar e antes que aquele boneco do Farnese chegasse ao chão ele explodiu e de dentro do recém-nascido saíram vários celulares com mp3 e mp20 câmera digitais holográficas...antes que eles...os celulares tocassem o solo se transformaram em mendigos do futuro formados na PUC,USP,UNICAMP, MACKENZIE e etc... mendigos e outros fantasmas invisíveis...visíveis por 30 segundos por causa das 9.000 câmeras da Avenida Geral (Ex-Avenida Paulista)

Um dos mendigos com mestrado em física antes de desaparecer ouviu o poema dizer:
- Basta você não ter dinheiro para ser um fantasma invisível lendo isto ou
- Basta você ter muito dinheiro para ser um fantasma vivo lendo isto.

reflexos condicionados

eu já tenho as minhas próprias contradições. não conseguiria entrar pra algum partido ou movimento e ainda abraçar as suas. ter de defendê-las ou criticá-las uma a uma para tentar atingir um nível aceitável de coerência interna vestindo uma camiseta com uma sigla. não dá. não me dê bandeira com símbolo algum. eu não vou segurá-la. não tente me convencer a participar de militância publicitária que só realiza propaganda e agitação superficial. entendo o poder da dimensão simbólica e grande parte dele consiste em enganar. em mostrar, em discursar, em aparentar. é o que aparece que importa. o ângulo certo e os retoques necessários. conhecer as inseguranças e desejos mais secretos e mais universais e dedilhar seus acordes com carinho. pouco importa o que não aparece. fora de quadro a cena inspiradora com uma música emocionante não é nada. puro truque de palco. a prisão da atenção. entretenimento - já viu a etimologia dessa palavra? pois é, prender nossa atenção é o único recurso de sobrevivência pra todos os negócios e instituições estruturais desse sistema. por isso seus artifícios e sortilégios tem orçamentos estratosféricos e recursos fantásticos. produzem fantasmas. reflexos superficiais de uma realidade refletida. mas refletida de onde? refletida do que? onde está a fonte de luz? onde está o referencial? quem encara o espelho? como na história do vampiro, só que às avessas. olho o espelho e vejo o reflexo. mas eu não estou lá. lá? aqui. meu reflexo está ali, minha imagem - minha linguagem inata, meu layout interativo intuitivo, minhas configurações de autoimagem, meu reflexo refletido no espelho do outro. como eu vejo o reflexo dos outros no meu espelho? será que essas imagens existem? só eu que sou virtual? vampiro-às-avessas virtual? quais são as virtudes da virtualidade? a mais óbvia é que você não existe. não de verdade. num mundo justo todos serão considerados inexistentes até que se prove o contrário. se o paradoxo não puder ser assimilado e instalado no sistema operacional, este não será compatível com o ambiente da rede realidade. se a verificação do córtex frontal resultar num erro de processador aborte a operação e tente fazer o backup dos arquivos para outro dispositivo. o manifesto surrealista nunca poderia ter conjecturado a natureza onírica destes tempos fluídos, quase um século relâmpago depois. reflexos refratários em superfícies polidas ou rachadas, sujas ou imaculadas, o reflexo que procura não é esse produzido pelas leis da ótica - é um reflexo que te cobra banda larga. pacote de dados. qual a senha do wi-fi? existe mais publicidade no mundo do que um ser humano de 128 anos poderia absorver se ficasse grudado numa tela do parto ao caixão. some a isso o entretenimento e as notícias. qual a diferença entre esses três mesmo? cada vez mais parecidos, enredados, filhos da mesma indústria fértil e farta, filhos pródigos da mesma ninhada bestial, eternos magotes famintos projetando suas mandíbulas de hipopótamo para abocanhar um punhado da nossa atenção, uma ampola do nosso espírito, para inocular seu feitiço narcótico, um sonho manufaturado engenhado especialmente para sua satisfação, camadas de tratamentos de cores para criar um mundo mais vívido que o seu, a magia da ilusão e da edição se fundem com ternura em seu coração, quem é o novo ícone da revolução? a nova popstar teen do clube do Mickey fez um vídeo de si ostentando um prolapso retal e o novo passinho do Esquenta virou viral. abuso. alienação da mercadoria. mercadoria que é o corpo. objeto e identificação. objetivo e indexação. é a alma. uma nova promoção. promoção e pra mocinha. sonhos de transformação transformados em merchandising. os meios de profusão transmitindo a programação. transmentido pra população. informação, entretenimento, notícia, propaganda, pronunciamento, publicidade o que discernir de toda essa lavagem?     miúdos. miúdos mergulhados na estática. doce ruído branco analógico, seus fantasmas costumavam assombrar mansamente os lares das famílias que botou pra dormir, como babá diligente ou janela do desespero, agora já não estão mais lá. substituídos pelos erros digitais, glitches nos megapixels da sua tela,  uma conexão que se encerra, qualquer melodia reduzida à perpétua repetição de um décimo de segundo travado caído no gráfico frustrado desconectado cordão umbilical que vinha arrastando a décadas subitamente arrancado, conector usb não identificado. entorpecimento eletrônico interrompido. narco narciso torceu as narinas pra substâncias físicas. o que importa são as qualidades espirituais do ego - atenção. todos querem entreter. com sua dor, com sua raiva, com a sua confusão, com a sua alegria. um riso ou uma lágrima é o pagamento - devidamente contabilizado pelo google adsense. não há nada pra revelar pois é tudo verdade. é tudo real. documental. suco mental. extraindo leite de caixinha. longavida bandalarga e cocaboa – the millenial dream

(foto: urubu-máquina)

Espetáculos Espectrais: O Bandido da Luz Vermelha

O Bandido da Luz Vermelha (1968), filme de Rogério Sganzerla

TRATA-SE DE UM FAROESTE SOBRE O TERCEIRO MUNDO

Sganzerla. Crítico do críptico, desvelando às ocultas, olhar perquiridor, cinemática extática, semiotransgressor, sensível e agressivo, irreverente e cínico. Seu olho clínico sobre a situação social revela nuances de um esquema maior, percebe com perspectiva rapineira os planos maiores da maquete urbana/humana - a grande figura, que não pode ser assim mostrada, não é assim que acontece. São códigos, situações, nomes e mistérios as peças desse jogo cujo manual de regras se perdeu e teve de ser improvisado. Arbitrariedades profundas sintomáticas de um mal maior, profundidades sintéticas de uma animalidade pior. A pompa dos safardanas à mostra como o que realmente é: pavoneamento estúpido para disfarçar a perversão. Arte como crime - crime como arte. Um tapa, um tiro. Um beijo com desdém na boca do além.

UM GÊNIO OU UMA BESTA




O espectador é conduzido pela ação por uma narração que imita a linguagem radiofônica dos anos 60, ridicularizando a narrativa policialesca com toda a pompa de seus bordões, invadidos pelos pulsos poéticos e exageros que expõe a natureza cômica dos códigos jornalísticos. A imagem intermitente de um letreiro de rua que passa mensagens noticiosas complementa a narração com fragmentos que podem ou não se relacionar com as cenas em que ela se insere. As frases em destaque, gritadas através desse texto, são retiradas de falas dos narradores, personagens ou dos letreiros. São chaves para a narrativa aforismática desse filme. Aforismos, passagens, reflexões e pensamentos que nos assaltam assim como as imagens, roubam nossa atenção e atiram ideias. Alvejados por fragmentos de informação cuja própria construção segue uma agenda desconhecida, articulações difusas e estratégias escusas - não é assim que vivemos?

QUEM TIVER DE SAPATO NÃO SOBRA!



Esse não é um filme moralista ou moralizante. Lançado pouco tempo antes do AI-5, foi uma cartada rápida num jogo marcado. Sganzerla nos mostrou a natureza dessas instituições mecânicas e relações hipócritas em que vivemos, onde a narrativa do crime é construída para nos desviar a atenção das atividades criminosas legalmente amparadas e socialmente legitimadas pela maleável opinião pública.

OS GÂNGSTERS ESTÃO EM TODAS: NA POLÍTICA, NA ADMINISTRAÇÃO, NAS FAMÍLIAS, NO FUTEBOL, NA IMPRENSA, NOS BILHARES E NAS ELEIÇÕES. NA VIDA NOTURNA, NOS ATENTADOS CONTRA O PRESIDENTE, NA PAZ, NA GUERRA, NOS MONASTÉRIOS E NOS PRESÍDIOS. NEM SEMPRE É UM INIMIGO PÚBLICO NÚMERO UM!

O bandido de Sganzerla é o marginal sintomático. O subproduto indesejado do desenvolvimento humano. Pouco importa o bandido real, em que este foi inspirado. Ele é o canalizador de uma narrativa que nos aponta o âmago criminoso de nossa civilização. Seus crimes não tem um viés ideológico, nessa época em que o banditismo por questão de classe tem implicações políticas, seu ódio é existencial. A ousadia temerária de seus crimes seduzia algumas patroas, que eram tratadas pelos maridos magnatas como a casa, o dinheiro, as joias - propriedade privada. Mas não é um bandido romântico, idealista. Essa é mais uma trágica e banal história de nossa era industrial, onde cadáveres frescos na calçada são cobertos com jornais. Ele está sempre caçando, a procura de algo que não encontra. Chame do que quiser: identidade, propósito. Luz tem uma maleta cheia de bugigangas em que escreveu bem grande no forro: "EU".



UM BRASILEIRO À TOA NA MARÉ DA ÚLTIMA ETAPA DO CAPITALISMO


"Arte moderna... é o que sempre digo: coisa de depravado", essa frase é do investigador/delegado Cabeção (para os íntimos) em uma cena do crime do temível bandido. Parece algo que já vimos em algum lugar, não? Os nazistas promoviam exposições dos grandes artistas da arte moderna, para denunciá-los como pervertidos e agentes da decadência e depois queimar suas obras em público. Essa não é a única referência aos criminosos do Terceiro Reich no filme, a certa altura o letreiro impassível diz:

MARTIN BORMAN, O HERDEIRO DE HITLER, NÃO ESTARIA REFUGIADO NO PARAGUAI - MAS DISTRIBUINDO DÓLARES FALSOS NO GUARUJÁ


Mais tarde veremos uma suposta ligação entre o infame criminoso de guerra que escapou no fim do conflito com o proeminente político brasileiro J.B. da Silva, intimamente relacionado com a gangue Mão Negra, contraventores de diversos truques que agem em São Paulo. J.B. diz ter jurado, em sua primeira comunhão, se tornar presidente para tirar o povo da miséria. É inquirido por um repórter: "E a miséria?", com elegância responde:  "Que miséria meu filho? Um país sem miséria é um país sem folclore, e um país sem folclore o que que nós podemos mostrar pro turista?"

Luz é um bandido sim, mas não se mistura com esses gângsters organizados. Luz é solitário, suicida. Já tentou se matar bebendo tinta a óleo, mas não deu pé. Uma cena mostra um programa de TV onde cidadãos de bem apoiavam a pena de morte num discurso inflamado, enquanto isso ele tomava banho de bidê.




E o jornalista grita impaciente na redação: "Pelo amor de Deus, um homicídio pra primeira página!"

TUDO ESTÁ ILUMINADO POR UMA TERRÍVEL LUZ AVERMELHADA!

Assista o filme e veja o desfecho, mas principalmente o desenrolar, dessa trama abjeta que nos traz o Século XX embaralhado num disco prateado. Que fim levará o temido marginal?  "Precisava sair de toda aquela confusão, de toda aquela balbúrdia, de toda aquela palhaçada que não vai mudar nem a cor da sua gravata!" E todas essas tramóias político-econômicas que o império precisa empreender para sobreviver, chegarão aos ouvidos do grande público? Discos voadores foram avistados em vários lugares do país, e invadiam também as notícias do rádio. Que relação teriam esses objetos não identificados com nazistas refugiados na América Latina, gângsters-ministros em sua escalada de poder e a instabilidade na bolsa de valores gerada pela morte de um magnata dos cosméticos?

O CONSPIRADOR É UM SONHADOR DO ABSOLUTO!


E sobem os créditos com a trilha do rock n' roll psicoativo de Jimi Hendrix, característico dos filmes de Mr. Sganzerla, mixado com cantos africanos do candomblé.

CONCLUSÃO: SOZINHO A GENTE NÃO VALE NADA! E DAÍ?

Jaguaribe Carne - Alimento para a Guerrilha Cultural


Documentário de 2007 que conta a trajetória do grupo.

Jaguaribe Carne não é uma simples banda. É um extenso projeto de militância social cuja expressão musical se manifesta com diversos tons. Desde os anos 70, Paulo Ró e Pedro Osmar agregam todo tipo de gente na plataforma Jaguaribe Carne, no bairro Jaguaribe em João Pessoa, capital da Paraíba.

"Liberdade
Liberdade
É o único sentimento de revolta"

No quintal da casa de Dona Madalena, o barulho que os jovens irmãos Pedro e Paulo faziam não era brincadeira. Ou melhor, era. Eram experimentações com objetos comuns, latas, panelas, copos e corpos, tudo que estivesse à mão. As sonoridades e ritmos improvisados abriram caminho para a expressão musical e poética. Com o tempo, o projeto cresceu e começou a atuar fora da esfera sonora. Não vou desenhar só porque "não sei desenhar"? Não vou fazer um poema porque não sei escrever algo catedrático? Pro diabo! A atitude de quebrar com a fragmentação da expressão artística provocava as pessoas a se apoderarem das diferentes formas de comunicação e arte.  

"Dalva me falou
Dalva me falou
Que estava cansada de ficar quieta
Que estava cansada de ficar quieta
E vocês
E vocês
E vocês
O que me dizem?"

Cada capa do disco instrumental de 1983 é única. Depois da impressão em capa branca com o logo da banda, o grupo incentivou que cada pessoa que pegasse um disco fizesse nele uma intervenção própria.
A democratização do conhecimento, a mobilização popular e a transgressão do estabelecido são ações que não se reduzem à música. Guerrilha cultural é o conceito evocado pelo grupo para explicar o espírito do seu movimento. A provocação sempre foi a tônica de Pedro Osmar para despertar o desejo de ação. O projeto Fala Jaguaribe, começado em 1982, teve como uma das sedes a casa de dona Anunciada, que servia para agregar crianças e jovens da região ávidos para construir uma movimentação popular. Mutirões de pintura, oficinas de percussão criativa e as mais diversas intervenções artísticas ocuparam ruas de João Pessoa.

"E vem no vento
E vem na cor
E vem de dentro
E vem da dor"


Para o Jaguaribe Carne, música popular não é aquela estabelecida comercial ou tradicionalmente. Pelo contrário, é música livre dos padrões estéticos estabelecidos. É música experimental, música manifesto, canção de protesto. É barulho, cacofonia, ruído, vocalização. É exploração de territórios sonoros normalmente ignorados, é abertura dos ouvidos para sonoridades estranhas, é incentivo à criação independente da padronização. Baião e música concreta, samba e rap, psicodelia e lambada, marchinhas de carnaval e dodecafonias dançam de braços dados em suas composições ousadas e provocadoras.

"No exercício de voar
É fazer rima com as palavras
É pousar na imaginação
Das asas das asas das asas das asas"


O álbum Vem no Vento, lançado em 2003, conta com a participação de consagrados artistas nordestinos e músicos independentes que acompanham a jornada do grupo há décadas. Lenine, Elba Ramalho, Chico César e Zeca Baleiro são só algumas das figuras que somaram na criação deste disco único.

"Ô meu povo agora
Braços dados ora
Na coragem grita
Me dá me dá
Grita está na hora
Ô meu povo teima
Conquistar a terra
Sem ter medo avança"


Abaixo estão duas músicas dessa obra prima que é Vem no Vento, de onde tirei os trechos das letras que pontuam este texto. Mas esse é um disco para se ouvir inteiro, várias vezes e por muito tempo! Por isso aqui está o link para o download do álbum, disponibilizado pelo blog Música da Paraíba. Como não achei as letras na internet, transcrevi de ouvido mesmo. Você pode acessá-las aqui.


                                     

Aos que se Foram - Totonho e Pedro Osmar

Ligados na modernidade medieval
Elefantes de palha dessa indústria de cosméticos!

Por que você fez isso meu irmão?
Por que você fez isso meu irmão?

Ateando fogo à roupa no meio da multidão
Desesperado sem trabalho, sem saúde
sem morada, sem viver
Vendo a família sofrer
E sabendo que o país desse governo
Não vai a lugar nenhum

Me deu um nó no peito meu irmão
Me deu um nó no peito meu irmão

Não é assim, não é assim que se faz
Não é jogando a vida embaixo de um caminhão
Não é pulando do edifício se estatelando no chão
Que você vai resolver o problema da família
Que vive um mau momento
Envergonhado de ver seu pai pedindo na rua
Envergonhada de ver sua mãe se entregando nua
Pra pelo menos garantir
Um pouco desse feijão, um pouco dessa farinha
Um pouco desse feijão, um pouco dessa farinha
Que ora está na mesa, que ora está mesa

É duro ver um amigo nesse chão
É duro ver um amigo nesse chão

Depois de acreditar na Lei
Depois de acreditar em Deus
Depois de tanta Democracia
Depois de tanto Carnaval

Depois de acreditar na Lei
Depois de acreditar em Deus
Depois de tanta Democracia
Depois de tanto Carnaval

Por que você fez isso meu irmão?
Por que você fez isso meu irmão?
Por quê? Por quê?
Me deu um nó no peito
Por que você fez isso?
É duro ver um amigo nesse chão
Me deu um nó no peito
Por que você fez isso?
É duro ver um amigo nesse chão
Por que você fez isso meu irmão?
Por que você fez isso?
Me deu um nó no peito




Delírio de Gari - Diana Miranda, Paulinho Ditarso, Paulo Ró e Pedro Osmar

Os urubus são aves do paraíso
Os urubus são aves do paraíso

Os anjos são urubus travestidos
Os anjos são urubus travestidos

Os urubus são aves do paraíso
Os urubus são aves do paraíso

Os anjos são urubus travestidos
Os anjos são urubus travestidos

Dê-me ao luxo de catar isso
Dê-me ao luxo de catar isso
Dê-me ao luxo de cada isso


Espetáculos Espectrais: True Detective

Começo aqui um trabalho de "crítica" experimental. Como estreia da seção Espetáculos Espectrais, que trarão minha apreciação sobre obras audiovisuais que me abalaram o espírito, tentarei apontar aqui por que a série True Detective me cativou e a indico.

Volta e meia assisto um filme, uma série, um documentário, e sinto vontade de escrever algo a respeito dele. Talvez isso seja fazer um trabalho de crítica amadora, apontando elementos que se destacaram na minha percepção. Sem pretensões de fazer algo certinho.



Este artigo trata da história que se desenvolve e termina nos oito episódios da primeira temporada.

A série segue as narrativas das lembranças de dois detetives do estado de Louisiana, que em 1995 conduziram uma investigação sobre mulheres e crianças que desapareceram, foram torturadas e mortas. O caso veio à tona nos dias atuais com o aparecimento de uma vítima encontrada com traços muito semelhantes ao crime que iniciou a investigação de 95, e Rust Cohle e Marty Hart são entrevistados pelos atuais detetives do Departamento de Investigação Criminal do estado.

Até aí, mais uma série de crime como tantas. Mas o que distingue True Detective é sua intensidade filosófica, sua abordagem ultrarealista e sua narrativa impiedosa. A interessante dinâmica entre a dupla de detetives, interpretados por Matthew McCounaghey (Rust Cohle) e Woody Harrelson (Marty Hart), dá o tom do desenrolar da série. Cohle é um pessimista declarado, sem respeito pelas convenções e com um latente desprezo pela autoridade. Características curiosas para um policial. Já Hart faz mais o tipo, um moralista hipócrita com propensão para a violência. A honestidade brutal de Cohle incomoda seu parceiro, que o tolera por perceber que a mente estranha do pessimista se prova aguçada na investigação do crime.

Hart é o homem de família, tradicional e cristão. Esposa, duas filhas pequenas e uma bela casa. Cohle vive sozinho numa casa pequena, estéril, sem mobília e tem como companhia seus livros sobre crimes, filosofia, psicologia e mitologia. Ele não é cristão. Apesar de sua vida perfeita para os padrões da sociedade, Hart é um homem violento, reprimido, adúltero. Talvez seja justamente a repressão e a hipocrisia da sociedade sulista americana profundamente religiosa e conservadora que o impele a momentos de explosão dos impulsos mais basais, ao alcoolismo e à alienação da própria família. Sem falar nos horrores que esse caso o leva a testemunhar.


Nagy Norbert


Cohle perdeu sua filha e se divorciou da única esposa. Trabalhou por anos como policial infiltrado pela divisão de narcóticos. Se entranhou no mundo do crime de gangues de motociclistas, onde o tráfico e o abuso de drogas eram a tônica de seus dias. Flashbacks de alucinações dessa época ainda afetam a mente de Cohle aleatoriamente, ou nem tanto. Ele também é sinestésico, podendo sentir o gosto de certas vibrações na 'psicosfera'. Talvez essas anomalias químicas e traumáticas no cérebro de Cohle tenham lhe proporcionado também a habilidade de analisar as pessoas de maneira instantânea e aguçada, lhe conferindo uma espécie de 'sexto sentido' sutil e realista. Um detetive niilista psicodélico, arquétipo peculiar.

A série é marcada por elementos da psicologia de Jung, sendo a psicosfera nada menos que o inconsciente coletivo em que estamos mergulhados. Referências a filósofos e escritores da modernidade também são frequentes. O Rei Amarelo que assombra os detetives e as dezenas de vítimas do sudeste estadonunidense foi retirado de uma obra de ficção de Robert E. Chambers, colega de letras do monstruoso H.P. Lovecraft. Terríveis elementos da obra se tornaram termos misteriosos usados pela seita que preda os inocentes na desolada e pequena cidade dos pântanos de Louisiana.

Aí está aquilo cuja ressonância macabra com a realidade me fascinou. (Alerta de spoiler) Apesar do resultado efetivo do trabalho dos detetives, a origem do mal não é derrotada. Mesmo tendo encontrado aqueles que perpetraram diretamente crimes horríveis, eles não estavam sozinhos. Eles eram apenas tentáculos da besta. É aí que a perversidade da série revela uma perversidade real: a impunidade de poderosos envolvidos em pedofilia e assassinato. A Igreja, a Polícia, a Política, as augustas instituições de nossa civilização, estão envolvidas através de seus agentes em rituais que resultaram na morte de muitas pessoas. São linhagens de sangue intocáveis que seguem com práticas ancestrais, ritos de poder e dominação onde os mais vulneráveis são sempre as presas - prostitutas, órfãos, crianças pobres, famílias desoladas. Os milhares de desaparecidos cujos casos nunca são e não serão resolvidos. A membrana da ficção é transpassada por essa cruel realidade, e é justamente aí que se dá o toque ao espectador. Um toque que pode passar desapercebido pela maioria, mas certamente a ressonância com o real será notada. O true detective perceberá. Os frutos do projeto MK-Ultra, operações de controle mental, abuso sexual sistemático e impune, o Projeto Monarca e a abominável corrupção das instituições e dos corações são terrores reais. Que o leitor espectral desse blog tenha curiosidade, senso crítico e cautela para enveredar por essa senda de pesquisa.


True Detective


Em conclusão, a coragem de tocar explicitamente no núcleo bilioso de nossa sociedade hipócrita, contando a história de forma tão intensa e ousada, deu à série o reconhecimento justo de um vasto público e da crítica. Contra-indicada para corações trêmulos e expectativas padronizadas, a primeira temporada de True Detective oferece uma viagem sem volta aos abismos da mente humana. 

 E a trilha sonora é do caralho!




"The world needs bad men. We keep the other bad men from the door."
- Rust Cohle